Título Original: Divergent
Autora: Veronica Roth
Páginas: 500
Ano: 2012
Editora: Rocco
Gênero: Distopia

Trilogia Divergente

1. Divergente
2. Insurgente
3. Convergente

Sinopse:
Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.
 Primeiramente gostaria de dizer que sou suspeita para falar sobre livros distópicos. Esse gênero é uma das minhas grandes paixões e praticamente qualquer livro que envolva distopia é atraente aos meus olhos. Com Divergente não foi diferente.
Divergente conta a história de Beatrice Prior, uma garota de dezesseis anos que mora na futurista cidade de Chicago. Mas não pense que por “futurista” tenha carros voadores ou coisas do tipo. Nessa Chicago, a sociedade se divide em grupos, mais precisamente facções, que foram criadas para manter a paz e a ordem na sociedade. Onde cada pessoa possa encontrar um lugar para chamar de seu e um grupo de pessoas que a compreenda. Assim, tudo estava perfeito. Não havia guerras há muitos anos e tudo estava organizado e em paz.
A sociedade se divide em cinco facções: AbnegaçãoAmizadeAudáciaFranqueza e Erudição. Cada uma delas é definida por uma característica importante que se sobressai sobre outras. Na Abnegação, o essencial é ser altruísta. Humilde com todos e colocar o próximo na sua frente. Ajudar os outros é o que os move. Na Amizade, eles pregam a paz e o amor. São contra a violência e sempre enxergam o melhor de tudo. A Audácia pertence aos soldados, pessoas que prezam a coragem e a força. Elas protegem a cidade e lutam pelo que acreditam. São aventureiros e vivem fazendo o que desejam sem medo dos riscos. A Franqueza é o lar das pessoas que lutam pela justiça. Nela a mentira é vista como algo fraco e dizer sempre a verdade é o principal objetivo. Na Erudição encontramos os cidadãos considerados inteligentíssimos. O conhecimento é algo belo e inigualável. Eles possuem a curiosidade de querer saber mais e mais, claro, usando as mais brilhantes ideias.

Os jovens dessa Chicago futurista são submetidos a um teste de aptidão, o qual são testados. Ao final, o resultado dirá a qual facção eles pertencem. Todavia o jovem também pode escolher seguir o resultado do teste ou escolher o que acha melhor para si. Pois, eles não escolheram a família ao qual pertencem, eles nasceram nela. Por isso passam por esse teste para ter a oportunidade de escolha. No dia da cerimônia de iniciação os jovens devem dizer sua escolha e aí será definitivo, não pode voltar atrás.
Beatrice pertence à Abnegação, o qual as pessoas são apelidadas de “caretas” pelas outras facções. Porém, ela não se encaixa em sua facção. A garota se sente diferente. Tem medo de não conseguir pertencer a lugar algum. No dia em que é submetida ao teste, o resultado é inconclusivo. Divergente. Algo que a garota não esperava e isso a deixou ainda mais confusa. Sua difícil decisão era escolher entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é.
Na cerimônia de escolha, Beatrice ainda não tinha escolhido para qual facção iria pertencer o resto de sua vida, até o momento em que foi chamada e optou por Audácia. Foi uma decisão chocante e inesperada até para ela mesma. Fora algo tão estranho e incomum que ela foi a única “careta” a trocar de facção. Os iniciandos da Audácia são praticamente testados no momento seguinte a sua escolha, onde devem pular para entrar e sair de um trem em movimento.
Durante a iniciação, período onde o jovem deve se provar digno de pertencer à facção, Beatrice muda seu nome para Tris e nota o quanto sua escolha em optar por Audácia foi arriscada. Pois, as fases da iniciação dos audaciosos são difíceis e árduas, além da intensa competição. Ninguém ali queria se tornar um sem facção, alguém que não pertence a lugar algum, que não conseguiu passar em sua iniciação. Pessoas que moravam nas ruas e tinham que mendigar.

Tris era considerada a mais fraca do grupo de iniciandos, o que aumentou o medo da escolha equivocada. Contudo, a garota se esforça para fazer valer sua escolha. Com muito foco e determinação ela avança e sobe na disputa. Durante o processo, Tris faz amigos e se sente atraída pelo misterioso Quatro, seu instrutor durante a iniciação.
Como em toda sociedade perfeita, há falhas, rachaduras. A “careta” deve ter cautela ao confiar demais, pois ela esconde o segredo do seu teste de aptidão, o qual pode causar sua morte. Divergentes são caçados há tempos por serem considerados perigosos e ameaçarem o sistema perfeito da sociedade por pensarem diferente. Eles se encaixam em mais de uma facção e possuem os pensamentos mais abrangentes. As autoridades da Erudição não os aprova e sua líder Jeanine possui um plano mirabolante formado para extingui-los para sempre. Porém, essa ideia toma patamar alto e envolve algo maior do que deveria ser. O que todos achavam que era uma coisa, na verdade era algo ainda mais grandioso. A partir daí, a trama fica cada vez mais envolvente e podemos notar que a história gira em torno de algo maior e melhor do que pensávamos.
De acordo com o que Tris vai descobrindo, nos juntamos a ela e levamos vários tapas na cara, pois são coisas complexas e abrangentes que nos fazem ter diversas perguntas. Diversas vezes meus olhos se arregalaram e meu queijo caiu. A cada capitulo temos uma surpresa. Veronica Roth, criou um mundo futurístico fantástico que nos faz questionar várias coisas em nossa sociedade atual. Apesar de seu modelo avançado, há características do passado. Algo impressionante! Não podemos avançar sem nos lembrarmos do nosso passado. Incrível como até em uma sociedade considerada perfeita há imperfeições.
Roth criou uma trama complexa e maravilhosa. No começo pode ser difícil de entender, mas logo você “pega a manha” e começa a juntar o quebra-cabeça. A história te prende do início ao fim. Um dos pontos mais fortes para mim na história, é como a escritora trabalhou a questão do medo. Pois, a Audácia é um dos focos e nela a coragem deve prevalecer. O medo está fora de cogitação. Excepcional! Eu me identifiquei bastante.
Podemos notar no decorrer da trama como Tris amadurece e se torna mais forte tanto fisicamente como espiritualmente. Os personagens são envolventes e cada um tem uma personalidade única. Identifiquei-me muito com a Tris por ela não se encaixar em uma facção, mas sim em várias. Em se sentir diferente. O Quatro tem uma opinião e inteligência magníficas. Os amigos da Tris, Cristina, Will e Al são legais e divertidos. Caleb, seu irmão mais velho, me irritou bastante. Foi uma relação de amor e ódio. Muitos personagens me surpreenderam e mostraram ser uma pessoa que eu nunca imaginaria.
As partes da iniciação da Audácia foram as melhores em minha opinião. Pois é algo que realmente testa sua capacidade física e mental da forma mais brutal. É de tirar o fôlego! Apesar de o casal Tris e Quatro não serem o foco, eles são bastante “shippáveis”, se completam. Eles se entrosam facilmente, possuem pensamentos inteligentes e intrigantes que se encaixam perfeitamente. Eu, particularmente, sou apaixonada pelo Four (Quatro, mas prefiro em inglês). Ele possui um charme em seu porte firme e autoritário. Quando ele baixa a guarda, eu sorrio, porque parece algum incomum nele hehe.
Divergente não é somente uma história sobre uma garotinha que não sabe seu lugar na sociedade. Abrange um assunto muito maior. Pois, somos submetidos a lições de que devemos lutar pelo que desejamos e achamos certo, que a família é algo essencial em nossa vida, que segredos nos cercam, porém muitos são para nosso próprio bem. Que a confiança é algo frágil, mas também forte. Que devemos fazer escolhas e mesmo sendo erradas, aprenderemos com elas e nos conformaremos com o caminho seguido.
Divergente possui amizade, amor, lutas, violência, tiro ao alvo, paisagens dos seus medos, tatuagens, mistério e uma história muito instigante! Recomendo. Aposto que irão gostar, mas não venha com desculpas por ele está na “modinha”, pois vale muito a pena ler.
Frases
“O abismo serve para nos lembrar que há um limite tênue entre a coragem e a estupidez!”
“Os testes não precisam mudar nossas escolhas.”
“- Pensei que teria problemas com a garota da Franqueza perguntando demais – afirma ele friamente. – Agora tenho uma Careta na minha cola também?
– Deve ser porque você é tão acolhedor – digo diretamente. – Sabe? Quase como uma cama de pregos.”
“Para mim, há uma diferença clara entre alguém que não tem medo e alguém que toma atitudes, apesar do medo, como ele.”
“Eu nunca havia sido carregada nas costas por um garoto, ou gargalhado tanto na mesa de jantar que minha barriga doesse, ou escutado o tumulto de centenas de pessoas falando ao mesmo tempo. A paz é contida, isso aqui é liberdade.”
“- Porque o medo não faz com que você se apague, ele faz com que você acenda. Já vi isso acontecendo com você. É Fascinante.”
“É fácil ser corajosa quando os medos não são meus.”
“Aprender a controlar seu medo e libertar-se dele é o verdadeiro objetivo.”
“- Você consegue ser uma garota por alguns segundos?
– Eu sou sempre uma garota.
– Você sabe o que quero dizer. O tipo de garota bobinha e chatinha.”

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