Título Original: Looking for Alaska
Autor: John Green
Páginas: 336
Ano: 2015 (edição comemorativa)
Editora: Intrínseca
Gênero: Jovem Adulto
AdicioneSkoob
Sinopse:
Publicado pela primeira vez em 2005, nos Estados Unidos, o romance de estreia de John Green ganha agora uma edição especial comemorativa que inclui:
  • Um texto de apresentação pessoal e revelador assinado por John
  • Cenas cortadas do manuscrito original
  • Detalhes do processo de edição do romance
  • Respostas de John às perguntas dos fãs
Miles Halter estava em busca de um Grande Talvez. Alasca Young queria descobrir como sair do labirinto. Suas vidas colidiram na Escola Culver Creek, e nada nunca mais foi o mesmo.
Miles Halter levava uma vidinha sem graça e sem muitas emoções (ou amizades) na Flórida. Ele tinha um gosto peculiar: memorizar as últimas palavras de grandes personalidades da história. Uma dessas personalidades, François Rabelais, um poeta do século XV, disse no leito de morte que ia “em busca de um Grande Talvez”. Para não ter que esperar a morte para encontrar seu Grande Talvez, Miles decide fazer as malas e partir. Ele vai para a Escola Culver Creek, um internato no ensolarado Alabama.
Lá, ele conhece Alasca Young. Ela tem em seu livro preferido, O general em seu labirinto, de Gabriel García Márquez, a pergunta para a qual busca incessantemente uma resposta: “Como vou sair desse labirinto?” Inteligente, engraçada, louca e incrivelmente sexy, Alasca vai arrastar Miles para seu labirinto e catapultá-lo sem misericórdia na direção do Grande Talvez. Miles se apaixona por Alasca, mesmo sem entendê-la, mesmo tentando sem sucesso decifrar o enigma de seus olhos verde-esmeralda.
 Curioso como é difícil escrever uma resenha ou somente opinar casualmente sobre algum livro que possui uma estória marcante e recheada de fatos que fazem pensar. Ou só pelo fato dela ser tão simples, mas mesmo assim intensa e complexa, faz com que seja difícil de comentar e expressar o que realmente queremos dizer para representar o que estamos sentindo. É estranho gostar tanto de uma estória fictícia e não possuir palavras para se expressar. Não é que eu tenha amado a estória. É que possui fatos que realmente fizeram a diferença.

Quem é você, Alasca? é o primeiro livro escrito por John Green, o qual possui 10 anos desde sua primeira publicação. Porém, foi o quarto livro que li do Tio Verde, pois a edição que eu queria sempre estava cara, até que finalmente na Black Friday consegui meu exemplar. Estava muito ansiosa para a leitura, já que ouvia muitos elogios. O chato foi que li um spoiler de algo crucial da estória. Mas relevei. Acho que de todo modo não estragou a leitura.
Miles Halter é um garoto magrelo de dezesseis anos, que possui uma vida monótona na Flórida e é fascinado pelas últimas palavras ditas por pessoas influentes antes de morrerem. Ele é viciado em ler biografias e ao ler sobre um autor que buscava o “grande talvez” ficou intrigado e assim, o rapaz saiu de sua zona de conforto.
Miles é um antissocial, não tem amigos e era infeliz. Cansado da vida que levava, ele tomou a decisão de ir estudar no colégio interno chamado Culver Creek, mesmo que seu pai estudou, para ir em busca do seu Grande Talvez e se aventurar no que restava de sua adolescência. Miles acredita que no novo colégio será mais feliz, terá aventuras e irá encontrar o que procura.
Nos primeiros dias no novo colégio, Miles conhece Chip Martin, seu colega de quarto e futuramente melhor amigo. Chip é mais conhecido pelo seu apelido denominado: Coronel. Ele deu um apelido a Miles, que por sua magreza ficou conhecido como Bujão. Ironias à parte, claro.

Coronel é o melhor amigo de uma garota linda e curvilínea, dona de cabelos castanhos e olhos de um esmeralda vivo, chamada Alasca. Na primeira vez que vislumbrou a famosa Alasca, Bujão perdeu as estribeiras e se encantou pela moçoila.
Junto com Coronel, Alasca, Takumi e Lara, Bujão pôde experimentar novas experiências viver novas aventuras e aprender grandes lições. Sua jornada é cativante e muito divertida. Na nova escola, Miles pode encontrar um lar e amigos para toda a vida. É emocionante!
No novo circulo de amigos, Miles fuma cigarros demais, fica bêbado, aprende truques, realiza trotes e até consegue uma namorada. Suas aventuras são divertidíssimas😀 Quisera eu fazer algumas dessas coisas na minha época de colégio.
Quem é você, Alasca? não contém capítulos, mas sim dias. Começa do dia 136 e vai diminuindo. Depois, na segunda parte do livro, a contagem recomeça, porém do zero. O livro é dividido entre o “Antes” e o “Depois”. É bem visível a ruptura e a mudança dos fatos, e como cada personagem está lidando com o ocorrido. O choque e o que todos esperam que aconteça no final ocorrem no meio do livro. Esta foi uma jogada inteligente do John. Pois podemos ver o quanto os personagens crescem, amadurem, aprendem e lidam com a situação forte que alabou suas vidas.
Entretanto, mesmo com o ocorrido, Bujão ainda continua vendo Alasca como antes. Ele nunca conseguiu enxergá-la de verdade. Ele só a olhava sem ver. Por ser apaixonado por ela, Bujão a endeusou demais, sem se preocupar o suficiente para ver o interior da garota. Alasca sempre será um mistério lindo e envolvente. Difícil de não se apegar.

Quem é você, Alasca? assim como outros livros do John, tiveram temas muito bem pesquisados pelo autor. Nesse, por exemplo, o protagonista é fascinado pelas últimas palavras que grandes pessoas disseram antes de morrer. Ou seja, várias “últimas palavras” são ditas no decorrer do livro para mostrar o vício de Miles. Fato que foi interessante. As metáforas e enigmas também estão presentes frequentemente.
John Green sempre me surpreende apesar de tudo. A maneira como ele coloca os jovens como seres complexos e cheios de dilemas faz com que nos sentimentos invencíveis e, quem não é jovem, possa os enxergar de outro jeito. Os pontos fortes nos livros do John, que eu adoro, são as frases divertidas e tão realistas presentes. Frases como: “Não dá para simplesmente ficar prolongando certas coisas para sempre. Chega um momento em que o melhor a fazer é arrancar o Band-Aid. Isso dói, mas depois passa, e então vem o alívio.” Ou frases como: “Era impossível não dizer essas palavras, mas elas tornaram a coisa toda extremamente desconfortável, como ver os seus avós se beijando.” Ou até como: “Toda luz na Flórida é néon ou fluorescente, e as pessoas que eu conhecia lá eram igualmente falsas.” Eu AMO quando os autores fazem isso! Pegam algo comum do dia-a-dia e mistura com outro elemento e assim forma algo que realmente já aconteceu em nossas vidas, mas que deixam um sabor melhor e diferente, que se destaca. John também adora misturar palavras no passado e no presente na mesma frase. Isso fere a linguagem correta, mas dá um toque especial. Além de ele demonstrar que o que aconteceu no passado foi tão forte que repercutiu até o presente. AMO *-*

Adorei os personagens. Eles são bastante complexos e divertidos. Cada um possui características que o leitor ama e outras que odeia. O que os torna ainda mais reais por não serem perfeitos. Todos eles possuem seus diferentes problemas, mas isso não faz com que um seja melhor que o outro. Um dos meus incômodos foi com a Alasca. Eu estava com grandes expectativas, mas elas não foram nem superadas, nem diminuídas. Ficaram na mesma. Entendi a intenção do autor em não nos contar muito, mas eu esperava mais. Porém a adorei e possuo grande carinho por ela. Coronel e Alasca❤ meus favoritos. Alasca tem um espírito jovem, irresponsável e inovador e contamina todos a sua volta com o seu jeito de ser. E acho que por esse motivo eu desejava mais e mais dela.
Quem é você, Alasca? possui situações e lições fortes que mexem com o leitor. Os personagens estão na adolescência, nos seus 16 anos e por este fato, tendem a desejar experimentar coisas novas, outras arriscadas, outras exageradas por estarem sofrendo… Enfim, mostra a realidade de muitos jovens por aí afora. Algumas cenas são muito fortes e algumas vezes me peguei pensando: “Eles não são muito jovens para fazerem isso?”, mas depois cai na real e lembrei que até eu já tinha feito algo do tipo quando tinha dezesseis anos. Então se prepare para momentos tensos e intensos.
Por se tratar de jovens, assuntos como o primeiro amor, primeira cerveja, primeiro cigarro, primeiro trote e primeiras experiências (sejam elas quais forem), são bem retratados na estória. São compreensíveis os momentos de dúvidas, desejos, confusões, atitudes por impulso e a vontade de experimentar algo novo. Há muitos conflitos internos e externos que são bem visíveis nos personagens. A questão da culpa e da crise de identidade e humor são presentes e nos mostra que os jovens não são tão simples assim. E que o menor problema pode desmanchá-los apesar de serem muito fortes e aguentar muitas situações.

Em suma, Quem é você, Alasca? é um livro incrível. Apesar de muitas pessoas odiarem, eu gostei bastante. Diz muito sobre perda, morte, crescer e amadurecer, possuir objetivos na vida, aproveitar todos os momentos e viver intensamente apesar dos problemas. É também sobre achar o seu lugar no mundo e escapar de “labirintos de sofrimento”. Mostra que apesar de os adultos se acharem superiores aos jovens, estes últimos conseguem ser invencíveis e aguentar bravamente certos sofrimentos causados muitas vezes pelos próprios adultos.
Quem é você, Alasca? possui uma estória ótima. Peguei-me várias vezes rindo, refletindo e ficando tensa. Recomendo à leitura para amantes de Young Adults, que gostam de estórias que fazem pensar e também para se divertir. Além de que pode mudar sua visão sobre os livros do John, seja para positiva ou negativa. Para quem leu e não gostou, por favor respeite minha opinião que respeitarei a sua.. Mas não massacre sem conseguir achar um ponto positivo 😉 Acho que o mundo é dividido entre pessoas que amam sua escrita e os que odeiam. Estou do lado que ama.

O livro não é somente isso. Sim, gente, tem mais! Além disso tudo, John nos presenteia com CULTURA! Foi fantástico saber mais sobre as diferentes religiões do mundo.  E, assim como o professor incentivava os alunos a “massagearem os próprios cérebros”, o leitor também recebia essas lições e pensava junto. Questionávamos e aprendíamos junto aos personagens.
A edição que li foi a “Edição Comemorativa de 10 anos” e está fantástica. Não encontrei nenhum erro na revisão, a capa é linda e com um efeito fosco, as páginas são amareladas, as abas caprichadas e o conteúdo extra maravilhoso❤
Conclusão, leiam Quem é você, Alasca? e me digam se é ou não é um livro incrível 😀

Frases
“Mas que diabos significa ‘instantâneo’? Nada é instantâneo. Arroz instantâneo leva cinco minutos, pudim instantâneo uma hora. Duvido que um minuto de dor intensa pareça instantâneo.”
“Eu sei que ela me perdoa, assim como eu a perdoo. As últimas palavras de Thomas Edison foram: “O outro lado é muito bonito.” Eu não sei onde fica o outro lado, mas acredito que seja em algum lugar e espero que seja bonito.”
“Às vezes perdemos a batalha. Mas a farra sempre ganha a guerra.”
“Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então eu voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa e ela, um furacão.”
“Chega uma hora em que é preciso arrancar o Band-Aid. Dói, mas pelo menos acaba de uma vez e ficamos aliviados.”

“Tantos de nós teríamos de conviver com coisas feitas e deixadas por fazer naquele dia. Coisas que terminaram mal, coisas que pareceram normais na hora, porque não tínhamos como prever o futuro. Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resultariam das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.”
“Quando os adultos dizem: “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar.”
“Isso é o medo: Perdi uma coisa importante, não consigo achá-la, preciso dela. É o que a pessoa sentiria se perdesse os óculos, fosse até uma óptica e descobrisse que todos os óculos do mundo tinham se acabado e que, agora, ela teria de se virar sem eles.”
“Eu queria ser uma dessas pessoas que têm uma sequência a manter, que chamuscavam o chão com sua intensidade. Mas agora pelo menos, eu conhecia pessoas desse tipo, e elas precisavam de mim como um cometa precisa de uma cauda.”
“Não posso ser uma dessas pessoas que ficam sentadas falando que pretendem fazer isso e aquilo. Eu vou fazer e pronto. Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia.”
“Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra.”
“- Você realmente leu todos aqueles livros em seu quarto?
 – Não, claro que não. Talvez eu tenha lido um terço daquilo. Mas vou ler todos. Eu os chamo de Biblioteca da Minha Vida.”


Deixe um comentário